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14/09/2009

Cientistas descobrem fonte original da malária

Cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine identificaram a fonte original da malária em um parasita encontrado em chimpanzés na África equatorial. Segundo a pesquisa o parasita teria sido transmitido de chimpanzés para humanos muito possivelmente a transmissão se deu por um único mosquito.

A malária é uma doença infecciosa que atinge cerca de 500 milhões de pessoas por ano no mundo, causando 1,5 milhão de mortes.

Dra. Cléa Elisa Lopes Ribeiro, infectologista e professora do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná – UFPR, explica a importância dessa descoberta. “Saber sobre a evolução das espécies é fundamental para o conhecimento das doenças humanas. Como as espécies demoram milhares de anos para evoluírem em outros animais e se adaptarem levando a uma “convivência pacifica”, conhecer a origem das doenças nos ajuda a prever como será a evolução no ser humano”.

A descoberta poderá ajudar a desvendar os mistérios entre as doenças infecciosas e sua transmissão; principalmente quando ocorre de animais para o homem. Geralmente quando uma doença é transmitida aos humanos ela tem uma capacidade patogênica (capacidade de causar doença) maior, é sempre mais grave, pois é uma nova doença desconhecida do sistema imunológico humano, esclarece dra Lopes.

“O sistema imunológico precisa ser estimulado e treinado para conhecer o “inimigo” e fabricar anticorpos para se defender. Este período de adaptação pode demorar, levando a muitas mortes, até atingir um ponto de equilíbrio entre hospedeiro e parasita. Na história da evolução das espécies é mais interessante ao parasita que seu hospedeiro sobreviva ao invés de morrer”, conclui.

Outro problema é a resistência da malária aos medicamentos, assim como acontece a resistência de bactérias aos antimicrobianos. A resistência aparece principalmente devido ao uso indiscriminado de medicamentos. O uso permanente de drogas por pacientes que não estão doentes, em doses baixas ou por tempo inadequado, faz uma seleção de parasitas resistentes. A cada novo ciclo de parasitas existe a possibilidade de surgir um parasita naturalmente resistente que vai transmitir esta resistência as outras “gerações”.

Os pesquisadores estão esperançosos que essa nova descoberta ajude no desenvolvimento de uma vacina contra a malária, pois trata-se uma doença que não confere imunidade após o primeiro episódio ou após varias infecções. Uma pessoa pode pegar malária várias vezes pela mesma espécie ou por espécies diferentes. Por exemplo, um paciente pode pegar malária por Plasmodium falciparum, que normalmente é muito grave, e mesmo após ser curada, se for picada por um mosquito infectado ela pode adquirir novamente a malária pelo Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malarie ou Plasmodium ovale.

Quando uma doença não confere imunidade é muito difícil desenvolver uma vacina, além disso, o plasmódio apresenta várias formas durante a infecção: forma hepática, forma sanguínea, forma assexuada, forma sexuada, e no desenvolvimento de uma vacina tudo isso tem que ser avaliado. Alguns grupos já desenvolveram vacinas que em alguns casos conferiram certa proteção, mas não o suficiente para ser usado em grande escala com impacto em saúde publica.

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