Nos últimos anos, o açaí, fruto originário da Amazônia, ganhou um espaço especial na dieta dos brasileiros. Conhecido por suas propriedades nutritivas e consumido por esportistas, seus benefícios vão desde sua polpa de alto valor antioxidante, a seu extrato bruto — vasodilatador que ajuda a reduzir a pressão arterial. Foi pensando nisso que a pesquisadora Ana Paula do Espírito Santo e a coordenadora Maricê Nogueira de Oliveira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma pesquisa que aponta que a incorporação do alimento ao iogurte probiótico (que contém bactérias benéficas ao organismo) pode ajudar a prevenir o câncer.
Segundo Maricê Nogueira, a ideia para o estudo veio da bibliografia específica que apontava para as propriedades do alimento. “Alguns estudos mostraram que o extrato bruto de açaí provocou a vasodilatação e consequente diminuição da pressão arterial em ratos hipertensos, provavelmente com a participação dos compostos fenólicos presentes, especialmente da classe dos flavonóides”, afirma. Ela diz ainda que há indícios significativos de que o consumo regular de alimentos ricos em flavonóides reduz o risco de morte por infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral em idosos, sendo, portanto, mais uma propriedade benéfica do açaí.
Embora ainda faltem ensaios clínicos para confirmar o seu benefício, a coordenadora afirma que a polpa do açaí, quando associado a bactérias probióticas, estimula a produção do ácido linoléico conjugado (CLA, sigla em inglês), um ácido graxo que, em elevada concentração, ajuda a prevenir o câncer. “O consumo de iogurte com açaí, é uma alternativa muito mais saudável que o açaí na tigela”, garante.
A pesquisadora acredita que esse estudo é importante em vários aspectos, tanto pela melhoria na qualidade de vida que alimentos como o açaí em conjunto com o iogurte pode proporcionar, quanto à propagação dos benefícios de frutos nativos na cultura brasileira. “O desenvolvimento de produtos alimentícios funcionais a partir de resíduos da indústria de alimentos, bem como a valorização dos frutos nativos, pode auxiliar na integração dos interesses sociais, econômicos e ambientais”, acredita.
