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Café previne contra câncer de cabeça e pescoço, diz estudo

O café é conhecido aliado da saúde. Nos últimos anos, pesquisas demonstraram que seu consumo em determinada quantidade poderia diminuir os riscos de se desenvolver glioma, um tipo de tumor do cérebro, além de prevenir doenças como o câncer de próstata agressivo, câncer de fígado, de endométrio e o câncer colorretal. Agora, uma revisão de estudos clínicos, publicada na revista Cancer Epidemiology, Biomakers & Prevention, acrescenta mais um fator positivo da bebida: ela pode proteger as pessoas do câncer de cabeça e pescoço.

A revisão avaliou nove estudos científicos, que envolveu mais de 14 mil pessoas, das quais pouco mais de cinco mil com alguma variação da doença, e concluiu que pessoas que bebem mais de quatro xícaras de café por dia têm 39% menos chance de desenvolver esse tipo de neoplasia.

Fernando Luiz Dias, chefe da sessão de cirurgia de cabeça e pescoço do Instituto Nacional do Câncer (Inca) explica que, por se tratar de uma substância ingerida pelo indivíduo, é sensato pensar em uma ação local do café no organismo. “A cavidade oral, que compreende boca e laringe, e a faringe, são locais por onde o café passa quando o ingerimos. Ainda há o esôfago e o trato digestivo baixo, então o café pode beneficiar todas essas áreas”, esclarece.

Embora ainda não haja uma causa bem definida para essa diminuição, o médico acredita que as enzimas antioxidantes são estimuladas pela cafeína: “algumas enzimas, já presentes na cavidade oral, têm efeito antioxidante, ou seja, têm o poder de proteger as células da mucosa, inclusive contra outros conhecidos agentes carcinogênicos, como o álcool e o tabaco”.

A pesquisa, porém, não comprovou a relação em chás ricos em cafeína e tampouco seu benefício para a prevenção do câncer de faringe. Dias adverte para as conclusões precipitadas sobre o estudo: “a informação importante que essa pesquisa fornece é a de que existe essa relação inversa entre o consumo de café e o câncer de cabeça e pescoço. Isso não quer dizer, porém, que as pessoas vão poder fumar e beber à vontade e não correr esse risco”. O médico aponta ainda a má higiene bucal e a má alimentação como comportamentos de risco.

Segundo o oncologista e dados do Inca, dos tipos de câncer de cabeça e pescoço, o de boca está em sexto lugar entre os tumores malignos mais frequentes entre homens brasileiros. “O que a gente tem observado é um aumento do câncer da orofaringe e da laringe em homens e mulheres. O da orofaringe está sendo associação da contaminação pelo HPV”, afirma. Boa higiene bucal, alimentos ricos em proteínas e vitaminas, como carnes brancas, legumes e verduras, além de vegetais amarelos, ricos em vitamina A, como abóboras e cenouras, auxiliam a prevenir essa doença.

Fique atento ao melanoma de coróide

O melanoma de coróide é um câncer que se desenvolve nos olhos, em um tecido ocular denominado coróide. O retinólogo Walter Carneiro Filho explica que esse tecido se situa entre a esclerótica, que é a parte branca do olho, e a retina, o tecido nervoso interno, onde a imagem é refletida. “É composta de vasos sanguíneos e células, dentre as quais algumas pigmentadas denominadas melanócitos. O melanoma de coróide caracteriza-se pela proliferação celular desenfreada desses melanócitos”, afirma.

Como o melanoma de pele, o tumor é bastante agressivo e tem alto índice de metástase. De acordo com o oftalmologista Pedro Piccoli, do Hospital Barigui de Oftalmologia, o melanoma de coróide pode trazer sérias complicações aos olhos — geralmente há perdas significativas da visão. “Em tumores maiores, muitas vezes, se indica a remoção do globo ocular. Mesmo quando os tumores são menores e podem ser erradicados através de cirurgia ou de braquiterapia, que é a radioterapia localizada, as sequelas para a visão são importantes”, adverte o médico e acrescenta que as mulheres caucasianas têm mais chance de desenvolver a doença.

Os sintomas mais comuns do melanoma de coróide, além da redução da visão, são os defeitos no campo visual — “a visão de ‘moscas’ ou flashes de luz”, afirma o oftalmologista. Outros sintomas dependem diretamente da extensão do câncer: “se o tumor se situa na parte anterior da coróide, poderá ser percebida como uma sombra no campo de visão em estágios mais avançados. Esta sombra avança conforme o estágio da doença, e pode chegar a ocluir totalmente a visão. Se a localização é posterior, poderá ser notada uma distorção das imagens, ou uma mancha no meio das mesmas”.

O diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho, no qual as lesões tumorais podem ser suspeitadas ou detectadas, dependendo do estágio. Segundo Piccoli, a ecografia também é usada para reforçar a suspeita e avaliar a extensão do tumor. “A ressonância magnética também pode ser de grande auxilio. Geralmente quando se faz o diagnóstico, ou quando se tem uma suspeita forte, submete-se o paciente a exames de imagem de outras partes do corpo, para saber se não há outras localizações do câncer”, diz.

Ainda de acordo com ele, o tratamento é mais eficaz quando a doença é descoberta precocemente e varia de acordo com o estágio e extensão do melanoma, que pode ser completamente curado. Piccoli, entretanto, alerta: “a erradicação total do tumor pode proporcionar a cura definitiva, mas não elimina o risco de aparecerem novos tumores”.

Câmaras de bronzeamento artificial duplicam chances de melanoma

Não é de hoje que as câmaras de bronzeamento artificial são consideradas vilãs da saúde pelo alto risco de câncer de pele que elas proporcionam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou recentemente este tipo de bronzeamento entre os agentes cancerígenos mais perigosos para a saúde pública, junto ao tabaco e ao gás mostarda, usado na Guerra do Vietnã. Porém, até então, o malefício desse tipo de aparelho nunca havia sido quantificado. Em junho de 2010, uma pesquisa da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, demonstrou que o uso das câmaras de bronzeamento duplica as chances de se desenvolver melanoma e outras doenças de pele, não importando o tipo de pele e a sensibilidade à luz.

O dermatologista, Guilherme de Almeida, diz que o bronzeamento artificial é cinco vezes mais prejudicial à saúde do que a radiação que se absorve com o sol do meio dia em um dia de verão. “Uma única aplicação aumenta o risco de melanoma em 15%. E seu uso antes dos 35 anos pode aumentar em até 75% a incidência desta doença”, afirma. Ele explica que a radiação solar que atinge a superfície terrestre é composta por raios ultravioleta, do tipo UVA, UVB e UVC. Dos três tipos, o que passa com mais facilidade é o UVA, e é justamente esse usado em câmaras de bronzeamento. A OMS determinou a periculosidade do aparelho com base em um artigo do famoso periódico médico The Lancet Oncology, que apontou esse tipo de raio ultravioleta como o com maior potencial para causar melanoma.

No Brasil, o uso das câmaras de bronzeamento artificial é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a proibição do aparelho no país, em uma medida polêmica que gerou bastante aceitação por parte da comunidade acadêmica e protestos por usuários do tratamento estético. Os aparelhos também podem ser usados para tratamentos de doenças como vitiligo e psoríase, explica Almeida, mas, ainda assim, não são seguros ou saudáveis. O paliativo para esse tipo de tratamento, no caso, é o controle. “Existem aparelhos de uso médico para estas e outras doenças que são monitorizadas por uma equipe médica que calcula a dose de cada paciente, o número de sessões e define o tipo de luz a ser usada”, afirma o médico. E completa dizendo que atualmente existem aparelhos com um espectro mais curto e definido de luz a fim de minimizar os efeitos colaterais para o paciente.

O risco do bronzeamento em câmaras não se restringe só ao câncer de pele. O dermatologista explica que, além do melanoma e dos carcinomas basocelular e espinocelular, pode contribuir para o surgimento de doenças oculares, como a catarata, e para deprimir o sistema imunológico, o que pode levar a outras doenças. E não é tudo. “O bronzeamento também pode ser um fator desencadeante ou agravante de doenças como lúpus eritematoso, porfiria, pelagra, xeroderma pigmentoso, urticária solar entre outras”, relata Almeida, que acrescenta que a radiação também pode reagir a medicamentos orais ou tópicos e causar danos à pele. O médico finaliza: “por tudo isso, não faça bronzeamento artificial”.

Alimentação influencia diretamente no desenvolvimento do câncer

Ter hábitos alimentares corretos é requisito primordial para ser uma pessoa saudável, mas muitos brasileiros se esquecem desses detalhes no seu dia a dia. É o que revela uma pesquisa do Ministério da Saúde, feita entre os meses de janeiro e dezembro de 2009. O estudo revelou o crescimento do consumo de refrigerantes, produtos gordurosos e o aumento do sedentarismo – apenas 14,7% dos adultos praticam exercícios físicos regularmente.

O quadro é preocupante, principalmente, se levarmos em conta que algumas substâncias presentes nos alimentos, principalmente naqueles industrializados, prejudicam a saúde do ser humano, inclusive contribuindo para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

“Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que os tipos de câncer relacionados aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por essa patologia”, revela a nutricionista Ariana Ferrari, residente em Nutrição Oncológica no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba (Paraná). “E o consumo de produtos que atuam como proteção está muito abaixo do recomendado na maior parte do Brasil”, afirma Ariana.

Cuidado com a composição

Entre as substâncias que podem contribuir com o desenvolvimento do câncer estão as nitrosaminas (substâncias encontradas em cervejas, peixes e seus derivados e nos derivados da carne e do queijo preservados com conservantes de sal de nitrito), altas doses de sacarose e ciclamato (adoçantes – as altas doses equivalem a centenas de latas de bebidas light), aflotoxina (fungo encontrado no milho, amendoim e seus derivados) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (substância resultante de alguns processos de preparo, como a defumação).

“Essas substâncias podem ser consideradas cancerígenas, entretanto os estudos ainda são escassos e necessitamos de mais pesquisas para esclarecer quais são as quantidades toleráveis pelo organismo humano”, afirma a nutricionista.

O que é validado por pesquisadores são os alimentos que ajudam na prevenção do câncer. Cereais integrais, hortaliças, frutas, alho e cebola, chá verde e consumo constante de água diminuem o risco de desenvolvimento da doença. “O consumo de hortaliças e frutas, por exemplo, reduz em 40% o risco de câncer do trato gastrointestinal”, comenta Ariana. Ela ainda reforça: “uma alimentação balanceada, rica em frutas e verduras, pobre em gordura de origem animal e sal, além de diminuir o risco do desenvolvimento do câncer, contribui para uma vida mais saudável em todos os aspectos”.

Confira as dicas da nutricionista do Erasto Gaertner para prevenir o câncer.

- Ter uma alimentação variada, rica em alimentos de origem vegetal, minimamente processados e ricos em fibras

- Manter um peso equilibrado

- Realizar atividade física todos os dias

- Consumir cinco ou mais porções por dia de hortaliças e frutos variados, todos os dias.

- Ingerir sete ou mais porções por dia de cereais variados, leguminosas, raízes e tubérculos. Preferir alimentos minimamente processados e evitar o consumo de açúcar refinado

- Reduzir o consumo de bebida alcoólica a menos de duas bebidas por dia para os homens, 20g de etanol, e uma para as mulheres, 10g de etanol

- Limitar o consumo de carne vermelha a 80g por dia. Preferir peixe ou aves

- Reduzir a ingestão de gordura de origem animal. Preferir os óleos vegetais

- Evitar o consumo de alimentos salgados ou em salmoura e o sal de cozinha

- Evitar o consumo de alimentos grelhados, churrasco, fritos, fumados e curados, preferindo os cozidos, estufados, guisados e escalfados

Consumo excessivo de sal pode causar câncer de estômago

Um recente estudo publicado pelo American Journal of Clinical Nutrition descobriu que uma dieta rica em sal pode contribuir para aumentar o risco de câncer de estômago. O estudo, realizado por pesquisadores da Coreia do Sul — país com alto índice da doença — avaliou mais de dois milhões de coreanos e constatou que o consumo excessivo de sal aumenta em até 10% as chances de se contrair esse tipo de câncer.

Segundo o oncologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dr. Luiz Antonio Negrão Dias, essa relação entre o consumo de sal e o câncer de estômago, embora não seja clinicamente comprovada, já é estudada há bastante tempo. “Antigamente, quando as pessoas não tinham geladeiras, o alimento precisava ser salgado para conservar suas propriedades e o índice de câncer de estômago naquela época era maior do que hoje”, explica. Ele acrescenta que a percepção dessa relação tem contribuído para reduzir a mortalidade pela doença a cada ano.

Comportamentos de risco

A culinária salgada não é o único fator responsável pelo aumento do risco de câncer de estômago. O Dr. Negrão Dias aponta outros alimentos que, se consumidos em excesso, podem contribuir para o surgimento de tumores. Comidas enlatadas, defumadas ou com muito tempero — inclusive pimenta — são alguns exemplos. Ainda segundo o médico, estudos recentes comprovaram que estômagos com pouca acidez tendem a desenvolver tumores mais do que estômagos com grande quantidade de ácido. Já o sal deve ser consumido apenas para dar sabor à comida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha não ingerir mais do que cinco gramas de sal por dia.

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