A sepse, ou infecção generalizada, é uma reposta inflamatória que pode ser causada por diversos agentes, geralmente a uma infecção. A doença pode ser mais preocupante do que se supunha. Uma estatística publicada pelo Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, feita pela Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro (Sotierj), apontou que a sepse mata seis vezes mais que o trânsito no Brasil a cada ano. Os dados comparados são de 2008, quando 34.597 pessoas foram vitimadas por acidentes nas estradas do país, contra os 300 mil pacientes que morreram de infecção generalizada.
De acordo com Fábio Guimarães Miranda, chefe do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Federal dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro, os dados sobre as mortes por sepse no Brasil não são mais precisos por falta de estrutura organizacional. Sobre o alto índice de mortalidade, ele afirma: “as causas para isso são muitas, mas a principal é o desconhecimento da doença por parte da população leiga, das autoridades sanitárias e, principalmente, dos médicos em geral. Os médicos deveriam ser treinados e orientados para aprimorar o reconhecimento da doença, o que, às vezes, é tarefa difícil, e os hospitais deveriam ter protocolos de agilização do seu tratamento”.
Equipamentos nos hospitais e formação adequada para os profissionais de saúde
Sobre a carência dos hospitais, Miranda comenta ainda a importância das CTIs, onde há equipamentos adequados para monitorar o estado do paciente e equipe médica e de enfermagem aptos. “Nosso hospitais, principalmente os públicos, necessitam urgentemente de mais e melhores leitos de CTI. Os médicos especializados em terapia intensiva, os intensivistas, deveriam ser mais bem remunerados e trabalharem em melhores condições”, diz, e acrescenta ainda a necessidade de cursos e palestrar para a comunidade médica, a fim de elucidar o assunto.
Já sobre a dificuldade dos médicos em reconhecer a doença, o especialista explica que a sepse se manifesta de várias maneiras e que isso pode atrasar ou atrapalhar o diagnóstico: “se o médico não tiver sempre em mente a possibilidade da sepse, ele pode deixar de diagnosticá-la a tempo. E sempre é importantíssimo o diagnóstico rápido, pois isso determina um resultado melhor, uma taxa de mortalidade menor”.
Ainda de acordo com ele, os sintomas da infecção dependem muito do local de incidência, mas afirma que se deve ficar atento para o aparecimento de mais de um dos sintomas: frequência cardíaca e respiratória aumentadas; febre acima de 38 graus ou hipotermia abaixo de 36 graus; aumento de glóbulos brancos no hemograma; sinais de desidratação; e aumento da glicose e de marcadores inflamatórios no sangue.
