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Sepse mata mais do que trânsito, aponta estatística

A sepse, ou infecção generalizada, é uma reposta inflamatória que pode ser causada por diversos agentes, geralmente a uma infecção. A doença pode ser mais preocupante do que se supunha. Uma estatística publicada pelo Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, feita pela Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro (Sotierj), apontou que a sepse mata seis vezes mais que o trânsito no Brasil a cada ano. Os dados comparados são de 2008, quando 34.597 pessoas foram vitimadas por acidentes nas estradas do país, contra os 300 mil pacientes que morreram de infecção generalizada.

De acordo com Fábio Guimarães Miranda, chefe do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Federal dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro, os dados sobre as mortes por sepse no Brasil não são mais precisos por falta de estrutura organizacional. Sobre o alto índice de mortalidade, ele afirma: “as causas para isso são muitas, mas a principal é o desconhecimento da doença por parte da população leiga, das autoridades sanitárias e, principalmente, dos médicos em geral. Os médicos deveriam ser treinados e orientados para aprimorar o reconhecimento da doença, o que, às vezes, é tarefa difícil, e os hospitais deveriam ter protocolos de agilização do seu tratamento”.

Equipamentos nos hospitais e formação adequada para os profissionais de saúde

Sobre a carência dos hospitais, Miranda comenta ainda a importância das CTIs, onde há equipamentos adequados para monitorar o estado do paciente e equipe médica e de enfermagem aptos. “Nosso hospitais, principalmente os públicos, necessitam urgentemente de mais e melhores leitos de CTI. Os médicos especializados em terapia intensiva, os intensivistas, deveriam ser mais bem remunerados e trabalharem em melhores condições”, diz, e acrescenta ainda a necessidade de cursos e palestrar para a comunidade médica, a fim de elucidar o assunto.

Já sobre a dificuldade dos médicos em reconhecer a doença, o especialista explica que a sepse se manifesta de várias maneiras e que isso pode atrasar ou atrapalhar o diagnóstico: “se o médico não tiver sempre em mente a possibilidade da sepse, ele pode deixar de diagnosticá-la a tempo. E sempre é importantíssimo o diagnóstico rápido, pois isso determina um resultado melhor, uma taxa de mortalidade menor”.

Ainda de acordo com ele, os sintomas da infecção dependem muito do local de incidência, mas afirma que se deve ficar atento para o aparecimento de mais de um dos sintomas: frequência cardíaca e respiratória aumentadas; febre acima de 38 graus ou hipotermia abaixo de 36 graus; aumento de glóbulos brancos no hemograma; sinais de desidratação; e aumento da glicose e de marcadores inflamatórios no sangue.

Saiba mais sobre a sífilis

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) cujos malefícios são conhecidos há muito tempo. Causada por uma espiroqueta denominada Treponema pallidum a doença pode chegar até o cérebro e causar, entre outras sequelas, a loucura. Esse estágio da doença já foi uma das formas mais comuns de demência. Sabe-se que algumas figuras históricas importantes tiveram a doença, entre elas o pintor Henri de Toulouse-Lautrec, o escritor Guy de Maupassant e o czar russo Ivan, o Terrível.

Renato Luiz Sbalqueiro, ginecologista e obstetra do departamento de tocoginecologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), afirma que a forma mais comum de contágio da sífilis é por via sexual, em contato com lesões úmidas que contém o agente causador. “Também pode ser contraída por transfusão de sangue, mas isso é muito raro hoje em dia, pois os laboratórios realizam exames para detectar a doença no doador”, diz.

Ele acrescenta que o contágio ainda pode ser feito por meio de drogas injetáveis, pois os usuários deixam um pouco de sangue na seringa antes de injetar o tóxico. “Há ainda o chamado contagio vertical, ou transmissão perinatal, que ocorre da mãe para o filho durante a gravidez. Temos hoje cerca de 30 mil casos anuais desse tipo de contágio no Brasil, sendo que ele pode ser evitado com o pré-natal. Isto mostra que muitas mães, a maioria por ser usuária de drogas, não realizam os exames”, conclui.

O ginecologista explica que a sífilis tem algumas fases: “o período de incubação da doença, ou seja, o tempo desde o contágio até a manifestação dos sintomas, pode ser de 20 dias a dois meses”. Após a incubação, o primeiro sintoma é o chamado cancro duro, uma ferida que pode aparecer no pênis, vulga, ânus ou boca. Sbalqueiro esclarece que, se não for tratada neste período, o organismo produz os anticorpos para tentar combater a sífilis. “Esse tipo de resolução, porém, gera uma fase de latência, que pode ir de alguns dias a alguns meses, até o aparecimento da fase chamada de sífilis secundária”, adverte. Neste estágio, também chamada de doença das mil e uma faces, pela imprevisibilidade da manifestação dos sintomas pelo corpo.

Segundo o médico, são comuns as lesões de pele na sífilis secundária. “Se não tratada, ocorre um novo período de latência, desta vez bem maior, podendo ter mais de 20 ou 25 anos”, continua Sbalqueiro. Passado essa latência, ocorre a sífilis terciária: “No terciarismo, ocorrem sequelas definitivas, sífilis neurológica e lesões cardíacas e articulares”. Nas gestantes, a doença pode causar ainda aborto, óbito intrauterino, prematuridade e malformações no feto. Há ainda o risco da criança nascer com a doença ou apresentar os sintomas após os dois primeiros anos de vida.

O tratamento da doença é relativamente simples e feito basicamente com penicilina. “Desde o surgimento da penicilina na segunda guerra mundial, ela continua sendo um medicamento totalmente eficaz para a cura da sífilis O uso e a maneira da medicação vai depender muito do estágio da doença. Dependendo do estágio, o tratamento pode ser mais demorado”, conclui Sbalqueiro.

Saiba mais sobre a infecção urinária

A cistite é um processo inflamatório causado por uma infecção na bexiga. Por isso, também é chamada de infecção urinária. Estima-se que a doença seja umas das principais causas de consulta na prática médica, sendo numericamente inferior apenas às infecções respiratórias. Segundo a infectologista, Ciane Mackert, a cistite pode ser causada por diversos tipos de micro-organismos, entre fungos e bactérias. Entretanto, o principal agente da infecção seria a bactéria Escherichia Coli, ou E. Coli, que representa cerca de 85% dos casos. Ela explica que a infecção pode ser tanto ascendente ou descendente: “na infecção ascendente, a bactéria sai da região externa do canal urinário e sobe até a bexiga, alojando-se lá. No caso da infecção descendente, o micro-organismo pode descer para a bexiga a partir do rim”. Porém, ela completa, o mais comum é que a infecção seja ascendente.

A causa da cistite, assim como seu agente causador, é variada. De acordo com a infectologista, as causas podem ir desde uma mudança de Ph ou má higienização da área genital até uma alteração anatômica, como uma uretra curta, ou procedimentos invasivos, como o uso de cateteres. “O processo infeccioso caracteriza-se pela dor ao urinar, seja no início ou no final da diurese. Dependendo do quadro, pode haver uma evolução para uma poliúria, ou seja, a urina em excesso, além de urgência miccional”, acrescenta Ciane. Urina com mau cheiro, cor opaca e seguida de filamentos de muco também podem ser sinais de cistite.

“Por questões anatômicas — a uretra é menor — as mulheres são mais propensas a contrair a doença do que os homens. Como a questão imunológica também é importante, os idosos e os diabéticos são também grupos de risco e precisam de atenção especial a esse tipo de infecção”. Ainda segundo a médica, o diagnóstico pode ser feito de duas maneiras: clínico, por meio da análise de sintomas; ou laboratorial, pela análise em laboratório do exame de urina. Descoberto o agente, basta administrar o medicamento adequado. Entretanto, mesmo com o diagnóstico de infecção urinária, nem sempre é possível descobrir o agente causador específico da doença. Por essa razão, ela explica, o tratamento é feito com antibióticos, para os quais o paciente deve apresentar melhora de quatro a seis horas após a administração do fármaco.

Saiba o que é norovírus

No começo de 2010, dois surtos de infecção gastrointestinal surpreenderam o país: em janeiro, no Guarujá, litoral paulista, mais de duas mil pessoas tiveram diarreia, entre elas, o filho do jogador Ronaldo “Fenômeno”, Ronald. Em março, o navio de cruzeiro Vision of the Seas, que saiu do litoral Santista, atracou em Búzios depois que 310 passageiros foram acometidos do mesmo mal. Como verificou não se tratar de infecção bacteriana, a aposta dos pesquisadores que estudaram o caso é algum tipo de vírus. E um dos principais suspeitos foi o norovírus.

Constantemente confundido com o rotavírus, que ataca principalmente crianças de até três anos de idade, o norovírus apresenta um quadro clínico muito parecido: gastrointerite aguda, com febre, diarreia e vômitos. Também pode haver letargia, dores de cabeça, dores musculares e febre de baixa intensidade. É o que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Paulo Roehe. “Virologicamente os rotavírus são muito distintos dos norovírus; a semelhança está no quadro clínico que causam, que podem ser confundidos”, afirma. Ele explica que um estudo apontou que o norovírus é responsável por 90% das gastrointerites não bacterianas em todo o mundo. “O nome norovírus vem do termo Agente de Norwalk, que se refere ao vírus identificado como causador de um surto gastroentérico ocorrido entre estudantes na cidade de Norwalk, Ohio, EUA, em 1968”, esclarece o virologista.

Os surtos causados pelo norovírus são explicados por suas formas de contágio. Roehe explica que ele é transmitido por via oral-fecal, principalmente por meio de água contaminada, além de objetos como copos e talheres e contato pessoa a pessoa.  Por isso, sua frequência em navios de cruzeiro pode acometer todos os passageiros: “por afetar um grupo de indivíduos com contato relativamente próximo e, principalmente, por existir uma origem de  água e alimentos — muitos deles manipulados — comuns a todos os embarcados”, diz.

Prevenção e tratamento

As principais formas de prevenção do norovírus, de acordo com o médico, são a higiene e a ingestão de alimentos cozidos e água clorada. E isso deve ser seguido por todos, pois uma pessoa pode contaminar o resto: “alguns surtos de infecção por norovírus tiveram sua origem rastreada até uma única pessoa contaminada que trabalhava em uma cozinha”, conta o virologista. Ele acrescenta ainda que pessoas com sangue do tipo O são mais propensas a serem infectadas do que pacientes com sangue tipo B ou AB.

Como a maioria dos casos da doença nunca é investigada a fundo, sendo diagnosticadas apenas como uma virose, não há índices de incidência no Brasil. Também não há tratamento específico, e, de acordo com o Roehe, embora a doença não seja muito grave, alguns pacientes mais debilitados, como idosos ou crianças pequenas, podem morrer se não tiverem cuidados especiais. O principal cuidado, ele explica, é com a desidratação do paciente, que perde muito líquido durante o processo infeccioso.

ONU revela que Aids é a maior causa de morte em mulheres

A contaminação pelo HIV se tornou a maior causa de morte em mulheres na idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos). Essa informação é da Unaids (Programa da Organização das Nações Unidas de Combate à Aids), que no início de março lançou um plano de ação para combater as violações dos direitos humanos que expõem mulheres e jovens ao vírus HIV.

Isso mostra que a Aids está atingindo as mulheres na mesma proporção que atinge os homens”, analisa a Dra. Maria das Graças Sasaki, professora de infectologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Antes a proporção era de 28 homens infectados para cada mulher – hoje são apenas oito”.

A justificativa revelada pela ONU para esse quadro é que as mulheres são alvos constantes de agressões e abusos. “A violência é a grande responsável pela disseminação do vírus – mesmo dentro de casa a mulher não tem o direito de optar por relações sexuais com preservativos”, explica Sasaki. “No dia 8 de março se comemora o Dia da Mulher, mas as mulheres continuam morrendo de Aids. Para representar melhor esta data, cada mulher do mundo deveria ganhar o direito da escolha, o direito de se proteger”.

Defesas

A médica e professora relata casos vistos dentro do seu consultório. “Eu tinha uma paciente que ela, o marido e o filho eram infectados. Ela cuidava de todos, dava remédio para todos e só por último cuidava de si mesma. Isso não pode acontecer, ela tem que se priorizar para assim poder cuidar de seus familiares”. Outro ponto ressaltado por Sasaki é o uso do preservativo. “Os casais infectados devem usar preservativos – a camisinha é muito importante, mesmo dentro do casamento”, afirma.

A ação da ONU contribui para a conscientização de que depende da população mudar esse quadro. “Muitas mulheres estão morrendo de Aids, quando temos remédios para essa doença. Temos que trabalhar o diagnóstico precoce e também conscientizar sobre a importância do uso de preservativos para evitar a transmissão do vírus”, alerta a médica.

Vacinação contra a gripe suína começa em março

A saúde pública brasileira tem um grande desafio para este ano: a vacinação da população contra a Influenza H1N1. O Ministério da Saúde pretende fazer 90 milhões de aplicações em quatro etapas a partir de março. A primeira, que começou no dia 8, imunizou profissionais do setor de saúde e as comunidades indígenas que vivem em aldeias do país.

A segunda etapa tem início no dia 22 e será destinada a gestantes, pessoas com doenças crônicas e crianças com idade de 6 meses a 2 anos, que receberão a primeira dose. Em entrevista à grande mídia, o ministro da saúde, José Gomes Temporão afirma que o plano de vacinação pretende proteger os grupos mais frágeis e aqueles que têm maior risco de adoecer e morrer. A vacinação de gupos prioritários segue os parâmetros da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Os adultos, com idade entre 20 e 29 anos, podem tomar a vacina na terceira etapa do processo compreendido entre 5 e 23 de abril e os últimos a serem contemplados são os idosos com doenças crônicas como obesidade de grau três, diabetes, pessoas imunodeprimidas, asmáticos graves, cardiopatas e portadores de doenças respiratórias crônicas, entre outros. Estes serão vacinados do dia 24 de abril a 7 de maio. Além da dose contra o vírus H1N1, eles serão imunizados no mesmo dia contra a gripe sazonal, como parte da campanha anual contra a gripe comum. Após esta data, de 10 a 21 de maio, o restante da população (30 a 29 anos) pode tomar a vacina.

Internet

O Ministério da Saúde tomou a decisão de utilizar a Internet para informar a população a respeito da vacinação contra a gripe suína. No site da campanha (www.vacinacaoinfluenza.com.br) o internauta pode se cadastrar informando a faixa etária e solicitar que seja avisado por e-mail da data de sua vacinação. Além deste serviço, o site traz informações atualizadas sobre o andamento da vacinação e formas reforçar as medidas de prevenção da doença.

Mito sobre a vacina

Circula um boato na Internet de que a vacina contra a gripe suína é prejudicial à saúde devido à presença de mercúrio. No entanto, esta informação está equivocada. Gregory Hartl, porta-voz da OMS, diz que o metal é usado nas vacinas como um conservante e não oferece risco à saúde. De acordo com ele, a organização considera a vacinação a principal arma contra a propagação da epidemia de gripe A.

Pesquisadores americanos testam vacina contra malária

Cientistas americanos da Universidade de Maryland desenvolveram uma vacina experimental contra a malária que foi testada em 100 crianças do Mali, na África Ocidental, todas entre 1 e 6 anos de idade. A nova imunização teve como base uma fonte do parasita plasmodium. Este parasita, responsável pela forma de malária mais comum, produziu respostas similares ou ainda melhores do que de outros tratamentos já aplicados.

O autor do estudo publicado no site da revista “Public Library of Science“, Cristopher Plowe, afirma que a vacina pode ter sido a primeira a reproduzir a imunidade natural contra o parasita. Os resultados positivos fizeram com que aumentasse o número de crianças participantes do teste. Cerca de 400 já receberam a imunização, cujos efeitos são perceptíveis até um ano depois da aplicação.

De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Dr. Waderli Tadei, as tentativas para a descoberta de uma vacina eficaz contra a malária é de extrema relevância, sobretudo para ser usada em áreas tropicais como a Amazônia, onde há predominância de 99% de casos da doença.

O pesquisador afirma que propostas como a dos cientistas são muito importantes, tendo em vista a dificuldade de encontrar a fórmula correta da vacina. “O protozoário gerador da malária é um organismo complexo que desenvolve estratégias diferentes de adaptação”, diz. No entanto, segundo o pesquisador, com o avanço da biotecnologia em breve será possível encontrar uma maneira de erradicar a doença.

Enquanto isto não ocorre, é preciso adotar algumas medidas preventivas. O mosquito transmissor da malária possui antenas com células sensitivas que conseguem detectar a presença dos seres humanos à distância. “Através da nossa respiração e transpiração os mosquitos percebem onde estamos e fazem de tudo para nos picar”, diz. Para evitar que eles entrem nas casas, as pessoas podem fazer coisas simples para se proteger.

- Utilizar o mosquiteiro comum ou o de longa duração que contêm um inseticida que mata os mosquitos, mas não prejudica os humanos.
- Borrifar as paredes das casas com inseticida que também não oferece perigo à saúde.
- Melhorar as condições habitacionais colocando telas nas janelas, portas e alpendres (varandas)
- Utilizar a máquina de termo nebulização que joga inseticida ao redor das casas nas áreas de grande transmissão.

Criadouro amazônico

A Amazônia possui um ciclo hidrológico intenso. Em novembro as águas começam a subir e seguem até julho do ano posterior. É então que as chamadas “águas negras” invadem os terrenos formando os igapós. Segundo Dr. Tadei, a concentração destas águas se transformam em um criadouro do mosquito. “É a condição perfeita para a reprodução do inseto”, diz. Isto explica por que a Amazônia é a região do país com maior número de casos de malária.

Desviando a atenção do mosquito

Um artigo científico publicado em fevereiro pela revista Nature produzido por pesquisadores das universidades de Yale e Vanderbilt descobriu novas técnicas para combater a malária. O estudo identificou receptores de odores do mosquito Anopheles Gambiae, transmissor da doença. Ao identificar quais são os odores atrativos do mosquito, a pesquisa abre a possibilidade de se criarem compostos para desviar a atenção do inseto para armadilhas. O líder da pesquisa, John Carlson, professor em Yale, afirma que estão sendo feitas pesquisas de compostos que dificultem a capacidade de o mosquito encontrar o homem.

Ministério da Saúde estimula ações anti-HIV entre os adolescentes

O aumento do número de casos de Aids entre os jovens brasileiros decorre de questões comportamentais, iniciação sexual precoce, falta de medo de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o maior número de parceiros.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 1986, havia 15 casos de Aids em homens para cada caso em mulher. Em 2002, esta razão se estabilizou em 15 casos em homens para 10 em mulheres. No entanto, em 1998 ocorreu uma inversão nesta proporção em jovens na faixa etária dos 13 aos 19 anos.

Hoje, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres jovens, com 8 casos em meninos para cada 10 casos em meninas. Especialistas acreditam que elas estão mais vulneráveis devido a questões comportamentais.

Fernando Tavares de Lima, doutor em psicologia da educação, salienta que as mulheres têm mais chances de contrair o vírus. “Do ponto de vista de relacionamentos, continuamos vivendo em um país muito machista, onde a mulher muitas vezes tem que abrir mão do uso da camisinha, seja por se sentir segura no relacionamento, seja por pressão dos homens para não utilizá-la”, afirma. De acordo com o doutor, a mulher deve ser responsável em termos de prevenção e cuidados com seu corpo. Para isto, é preciso investir imensamente em ações anti-HIV.

No último carnaval o governo federal lançou a campanha “Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre” que tem o objetivo claro de promover o sexo seguro para diminuir as taxas de infecção. No entanto, o desafio de não permitir que os casos de Aids continuem avançando entre os adolescentes brasileiros passa, necessariamente, pela educação.

De acordo com Fernando Lima, o Brasil não pode cometer o equívoco de descuidar das ações preventivas anti-HIV. “Estas não devem ser pontuais, mas sim projetos continuados que devem ser feitos no lugar ideal para isto: a escola”, diz. Segundo ele, aprender a refletir sobre opções da vida e as escolhas que se faz é algo que deve ser ensinado desde cedo, já na infância.

Combate à Aids na escola

Está nos planos do Ministério da Saúde investir ainda mais em projetos que garantam formação abrangente, nos quais os jovens possam debater e se informar sobre temas como diversidade sexual, prevenção de Aids, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez na adolescência.

Uma opção estudada pelo Ministério é fortalecer o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) criado em 2003 em parceria com o Ministério da Educação. As ações foram realizadas em 50 mil colégios, mas de acordo com os gestores não há estudos que mostrem os impactos disso.

O doutor Fernando afirma, porém, que para desenvolver ações de sucesso, é preciso concentrar esforços para dar boas condições de trabalho para que os educadores possam fazer um bom trabalho junto aos estudantes. “Investir na formação dos professores é muito necessário, desde a formação inicial até a continuada”, diz.

Camisinha para os alunos

O estudo “Saúde e Prevenção: cenários para a cultura de prevenção nas escolas”, realizado pela UNESCO, em 2007, com estudantes de 135 escolas públicas que participavam do projeto, a distribuição da camisinha no ambiente escolar é considerada “uma ideia legal” para 89,5% dos estudantes e 63% dos pais.

A pesquisa ainda mostra que 44,7% dos alunos têm vida sexual ativa. Grande parte deles (60,9%) afirmou ter usado preservativo na primeira relação sexual. Segundo 42,7% dos estudantes, eles só não usam o preservativo nas relações porque, na hora “H”, não o tem.

Gripe suína continua oferecendo riscos no verão

Entre os meses de janeiro e fevereiro cinco pessoas morreram no Paraná devido a complicações causadas pela gripe suína, segundo dados da Secretaria de Saúde do estado. Embora o número de casos seja menor do que no inverno, é preciso se precaver e não relaxar com as medidas preventivas.

O médico infectologista, Dr. Francisco Hideo Aoki, recorda que, em geral, a transmissibilidade do SO Flu A H1N1(Swine Origin Influenza virus A H1N1) ocorre com mais frequência nos meses frios, onde a chance de aglomeração humana é maior. No entanto, ele adverte que o vírus continua circulando.

De acordo com ele, o H1N1 pode acometer as pessoas nestes meses quentes de verão, e através das mesmas formas de transmissão classicamente estabelecidas. Segundo o Dr. Francisco, como não tem havido muitas campanhas contra a gripe neste período, portanto, o bom senso é fundamental para evitar a contração da doença.

Medidas Preventivas

As medidas preventivas continuam as mesmas:
- Higiene das mãos e corpórea.
- Evitar aglomerações.
- Ao tossir ou espirrar procurar proteger o nariz e a boca com lenço descartável.
- Lavar sempre as mãos com água e sabão.
- Manter a casa, o trabalho e os ônibus sempre arejados.
- Não compartilhar copos, talheres, toalhas e objetos pessoais.
- Evitar contato das mãos com os olhos, nariz e boca.
- Se você está com gripe e apresentar dificuldade para respirar, procure imediatamente um serviço de saúde.

Vacinação

O Ministério da Saúde informou que a vacina contra a gripe suína começa a ser aplicada a partir de março e será feita em quatro etapas. A primeira, que começa no dia 8, será aplicada em profissionais do setor de saúde e nas comunidades indígenas. A segunda, no dia 22, será destinada a gestantes, pessoas com doenças crônicas e crianças com idade de 6 meses a 2 anos, que receberão a primeira dose. Os adultos, com idade entre 20 e 29 anos, podem tomar a vacina na terceira etapa do processo compreendido entre 5 e 23 de abril e os últimos a serem contemplados são os idosos com doenças crônicas. Estes serão vacinados do dia 27 de abril a 7 de maio. Além da dose contra o vírus H1N1, eles serão imunizados no mesmo dia contra a gripe sazonal, como parte da campanha anual contra a gripe comum.

Enchentes exigem cuidado maior com a saúde

Uma enchente, além de causar estragos na infraestrutura das cidades, expõe a população a diversos tipos de doenças. Para evitar ficar doente é importante observar regras básicas de higiene e procurar rapidamente as Unidades de Saúde em caso de qualquer sinal de adoecimento.

Entre as doenças que podem ser adquiridas pela ingestão de água e alimentos contaminados pelas inundações estão:

• Leptospirose (também adquirida pelo contato direto com a água ou lama)
• Hepatite A (também pode ser transmitida de uma pessoa a outra)
• Hepatite E
• Doenças diarréicas
• Febre tifóide
• Cólera

Algumas ações contribuem para minimizar os riscos de se contaminar em casos de enchentes. Confira:

• Busque, nos órgãos de saúde municipais, informações sobre as condições sanitárias dos locais atingidos;
• Beba apenas água tratada e alimentos em condições adequadas para consumo;
• Evite ao máximo o contato com a água da enchente;
• Jogue no lixo os alimentos que tiveram contato com a água;
• Procure abrigo em locais seguros;
• Lave muito bem as mãos antes das refeições e após usar o banheiro.
• Depois que a água baixar, lave e desinfete o chão, as paredes, objetos e roupas, com água sanitária. A lavagem com água e sabão só deve ser feita depois que toda a lama for retirada. Essa limpeza deve ser feita com luvas, botas ou sacos plásticos duplos nos braços e pernas.
• Não tome medicamentos sem a orientação de um médico.

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