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Conheça os riscos da osteoporose

A osteoporose é uma doença silenciosa e atinge principalmente mulheres idosas. Caracteriza-se por uma redução da massa óssea, decorrente da redução do próprio tecido ósseo. É o que explica Victoria Zeghbi Borba, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), no Paraná. Segundo ela, a diminuição dos hormônios tem papel fundamental no desgaste dos ossos. “Com a menopausa ocorre uma perda da proteção natural que o estrogênio exerce sobre os ossos, levando a um maior desgaste, principalmente, nos dez primeiros anos após a menopausa”, afirma Victoria.

Este, porém, não é o único caso onde a doença pode se manifestar: “também ocorre com mulheres que, para tratamento de  endometriose, por exemplo, fazem bloqueio hormonal e, também, com homens em supressão hormonal para tratamento de câncer de próstata ou que entram em andropausa”, completa.

Victoria explica que o tecido ósseo é constantemente renovado e existem vários fatores — entre eles as taxas hormonais — que controlam esta renovação. “Se houver um desequilíbrio em um destes fatores, pode ocorrer um aumento da reabsorção óssea, com menor formação”, esclarece. E aponta alguns desses fatores: deficiência de vitamina D, falta dos hormônios sexuais, diarréia crônica e uso de corticóides.

Grupos de risco e diagnóstico

Victoria Borba afirma que a osteoporose se manifesta sem muitos sintomas e, por isso, a descoberta da doença pode ser tardia — geralmente, após uma fratura. O diagnóstico é feito por meio de um exame de densitometria óssea, que quantifica a massa óssea. Existem, entretanto, grupos de risco que devem estar atentas à osteoporose. A médica explica que as mulheres, principalmente as idosas, e a população de raça caucasiana e asiática, têm mais chances de desenvolver a doença. Outros fatores apontados por ela são a insuficiência de cálcio, condição física precária, tabagismo, etilismo e sedentarismo. Por isso, ainda de acordo com Victoria, manter hábitos saudáveis e uma alimentação rica em cálcio é fundamental desde a juventude. Além disso, ela recomenda a reposição hormonal, quando indicada pelo médico e exposição ao sol por pelo menos quinze minutos por dia.

Tratamento

Atualmente, existem diversos tratamentos para reduzir o impacto da osteoporose na vida do paciente e garantir uma boa saúde óssea. “Os tratamentos mais usados são feitos com o uso de drogas que bloqueiam a reabsorção óssea, os bisfosfonatos que podem ser usados semanalmente, mensalmente, a cada três meses, ou até anualmente, dependendo da condição do paciente e da sua preferência”, exemplifica a médica.

Ela cita também os Selective Estrogen Receptor Modulators (SERMs), substâncias que simulam o estrogênio nos ossos e bloqueiam seus efeitos na massa óssea. “Outra forma de tratamento é o ranelato de estrôncio, que tem uma ação dupla, diminuindo a reabsorção e estimulando a formação, sendo usado diariamente”. Por fim, Victoria cita a teriparatida, medicação com maior capacidade de formação óssea, que é aplicada com injeções subcutâneas diárias.

Câncer bucal é combatido em São Paulo

Diversas cidades do estado de São Paulo lançaram nos últimos meses campanhas para rastrear e prevenir o câncer de boca, o sétimo mais frequente do Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em estimativa, o instituto afirmou que cerca de 14 mil pessoas serão vítimas da doença em 2010. A previsão é muito mais preocupante para os homens: do número total fornecido pelo Inca, estima-se que pouco mais de dez mil serão do sexo masculino.

O câncer bucal engloba qualquer tumor originado na região da boca, entre língua, lábios, gengiva e céu da boca. Segundo o chefe substituto da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca, Roberto Netto Soares, a doença surge como uma pequena lesão ou inflamação localizada que não melhora com tratamentos locais. Mas, existem outras formas da doença: “Outro tipo mais específico são lesões esbranquiçadas, chamadas leucoplasias, que são consideradas lesões pré-malignas pelo potencial que elas têm de se tornarem malignas com o tempo”, avalia.

O médico ressalta que o diagnóstico precoce da doença é fundamental para um tratamento mais eficaz. Por isso, ele explica que são importantes as campanhas de prevenção e rastreamento. As razões são também econômicas: “as lesões que atualmente são tratadas nos hospitais especializados são lesões avançadas em que o custo do tratamento é alto e os pacientes são submetidos a procedimentos em que ficam incapacitados para sua recolocação no mercado de trabalho”, explica o médico sobre os procedimentos para controlar o tumor, como quimioterapias e intervenções cirúrgicas. Porém, ele afirma que até hoje nenhum país foi totalmente bem sucedido com campanhas de prevenção da doença e cita como exemplo Cuba e a campanha brasileira realizada em Vitória, no Espírito Santo, por meio do curso de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Ainda de acordo com Soares, os principais comportamentos de risco para o desenvolvimento do câncer bucal são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, além de má higienização bucal. “O perfil do paciente mais comumente acometido é de classes sociais menos desfavorecidas, nas quais se encontram com mais facilidade o somatório desses fatores”, informa. Por isso, ele argumenta que, aliada às medidas de prevenção, as campanhas de combate ao tabagismo e ao alcoolismo são de extrema importância na diminuição de casos da doença. “Campanhas para procurar o profissional de saúde o mais precocemente possível também teria resultado positivo na curabilidade das lesões”, completa.

Isenção no IR para pacientes com câncer sem sintoma

A partir de agora, pacientes com câncer que não apresentem sintomas da doença – neoplasia assintomática –, também, estarão isentos do Imposto de Renda anual. O benefício já era concedido a pessoas com a doença e que já tinham manifestação dos sintomas. A medida foi decidida em abril pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que já havia determinado na lei nº 7.713, de 1988, a isenção para pacientes da neoplasia maligna que apresentassem sintomas.

Para tanto, explica a advogada tributarista, Débora D’Almeida Cordeiro, o artigo 30 da lei nº 9.250, de 1995, exigia que o contribuinte apresentasse um laudo pericial que comprovasse a moléstia, emitido por um serviço médico oficial. “Agora o STJ determinou que não há necessidade da demonstração da continuidade dos sintomas da doença, nem da indicação de validade no laudo pericial para isentar o contribuinte.”, afirma a advogada.

A medida, que já protegia portadores de diversas doenças e condições físicas, vai beneficiar milhares de contribuintes. A lei se aplica a todos os tipos da doença, desde que devidamente comprovado a neoplasia assintomática. Débora especifica a documentação necessária para ter direito à isenção:

  • Requerimento de isenção de Imposto de Renda
  • Laudo médico-pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios com as informações: identificação da instituição responsável por sua expedição, especificação da moléstia (nome e/ou Código Internacional de Doença – CID), histórico clínico do paciente, identificação do médico responsável pela emissão do laudo, com a assinatura, carimbo e CRM do médico
  • Exame médico que comprove a existência da doença

Outras condições médicas apontadas pela advogada que isentam o contribuinte do IR:

  • Portadores de moléstia profissional
  • Tuberculose ativa
  • Alienação mental
  • Esclerose múltipla
  • Cegueira
  • Hanseníase
  • Paralisia irreversível e incapacitante
  • Cardiopatia grave
  • Doença de Parkinson
  • Espondiloartrose anquilosante
  • Nefropatia grave
  • Hepatopatia grave
  • Estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante)
  • Contaminação por radiação
  • Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)

Novo Código de Ética pretende mudar a relação médico-paciente

Entrou em vigor no dia 13 de abril o novo Código de Ética Médica, que pretende mudar a relação entre médico e paciente. Ao todo, foram dois anos de discussão entre os delegados do conselho de classe para que pudessem ser definidas as 118 normas do novo código, que prevê um melhor tratamento e atenção por parte do médico ao paciente e até mesmo punição ao profissional que não prescrever receitas médicas legíveis.

A reforma eventual no velho código já era algo previsto em um de seus artigos. Porém, foram mais de vinte anos sem uma revisão. O próprio CFC (Conselho Federal de Medicina) reconhece que a prática médica e mesmo o perfil dos pacientes mudaram muito neste tempo. Por isso, a proposta do órgão é diminuir o intervalo até uma próxima revisão. “É um trabalho sem fim. Tanto que nós já determinamos que esse código não passe mais 20 anos sem uma revisão. Haverá uma reavaliação e uma atualização a cada cinco anos.”, diz o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila.

Segunda opinião

Segundo d’Avila, o CFM vai garantir uma maior autonomia ao paciente e uma relação mais transparente, participativa e mais comprometida entre médico e paciente. Uma das mudanças nesse sentido é a liberdade do paciente para solicitar uma segunda opinião quando desejar. O artigo 39 do código proíbe o doutor de se opor à formação de uma junta médica ou a uma segunda opinião. Em contrapartida, o artigo 52 impede que o médico desrespeite o tratamento já prescrito anteriormente, à exceção de um indiscutível benefício para o paciente no novo tratamento. “O médico deixa de ser aquele “paizão”, que escolhe o que é melhor para o paciente e este passa a participar mais ativamente. Eu penso que este é o grande avanço”, explica Roberto d’Avila, que testemunhou pessoalmente a situação precária no atendimento médico como paciente.

Aceitação

De acordo com o vice-presidente do CFM, Carlos Vital, tem havido grande aceitação por parte da comunidade médica à revisão do código e suas novas inserções, em especial à determinação que permite ao enfermo de doença irreversível ou terminal optar pela não-prolongação do tratamento, que usam métodos artificiais para prolongar uma vida sem qualidade — a chamada distanásia. Ele ressalta que outras inserções no código foram necessárias para adaptar a ética do profissional à nova realidade tecnológica, referentes à engenharia genética e à reprodução assistida.  Mais detalhes podem ser encontrados na sessão do código, na página do Conselho Federal de Medicina: http://www.portalmedico.org.br/novocodigo/index.asp

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