Cientistas do Cambridge Research Institute, no Reino Unido, descobriram através de pesquisas em ratos com tumores pancreáticos que um tratamento composto de cloreto de gemcitabina e IPI-926 resultaram no aumento da quantidade de vasos sanguíneos dentro do tumor, ocorrendo uma distribuição maior da gemcitabina e retardando o avanço do câncer.
Há alguns anos foi lançada uma nova linha de drogas que são inibidoras da angiogênese, ou seja, as drogas que inibem a formação de vasos fariam com que os tumores sofressem de má nutrição e tivessem dificuldade de manifestar metástases. “Utilizar uma droga que estimula a angiogênese, com a finalidade de melhorar o acesso a uma droga para ser tóxica ao tumor, é a primeira vez que vejo”, afirma Dr. Luiz Antonio Negrão Dias, oncologista do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP. “Creio que os vasos que são estimulados para facilitar a entrada da droga também facilitam a saída de células do tumor para desenvolverem metástases à distância, até porque os vasos neoformados pelo tumor servem para trazer o sangue e levá-los na corrente sanguínea sequente”, analisa o oncologista sobre o novo tratamento.
Os tumores do pâncreas possuem poucos vasos sanguíneos e, por isso, não possuem muitas vias para a distribuição dos medicamentos contra o câncer. Os tumores produzem dentro deles fatores de crescimento para proliferação vascular, ou seja, os tumores têm a capacidade de produzir vasos que servem para trazer a irrigação sanguínea útil para nutri-los; os chamados angiogêneses. “Alguns tumores apresentam angiogênese com mais intensidade e produzem uma maior quantidade de vasos, são bem vascularizados, e muito mais sangrantes. Outros produzem em quantidade mínima e são pobres na formação vascular, o que ocasiona uma dificuldade para entrada dos nutrientes e esses tumores acabam sofrendo necrose ou ulceração na sua região central por causa de má nutrição”, esclarece o oncologista do IOP. Entretanto ele afirma que essas são características dos diversos tipos de tumores. Podemos encontrar tumores de pâncreas pouco produtores de vasos até tumores ricos em vasos.
O câncer de pâncreas está entre os tumores mais letais que existem, no mesmo nível de câncer de pulmão, câncer de esôfago, melanoma maligno, entre outros. Isso ocorre por dois fatores: pela própria agressividade biológica do tumor e porque geralmente o diagnóstico é tardio.
O tratamento padrão da doença é feito com o cloridrato de gemcitabina, que garante mais algumas semanas de vida ao paciente. “O câncer de pâncreas é silencioso, geralmente quando manifesta sintomas já é tumor avançado”, conta Dias. As expectativas de cura para os pacientes com câncer são remotas, por ser, a grande maioria, diagnosticada em fase avançada, com sobrevida média de 8 a 12 meses. Os que são diagnosticados em fase precoce, pequenos, geralmente sem sintomas, em que a cirurgia curativa é possível de ser feita, apesar de suportarem um pós-operatório de uma cirurgia radical e extensa, têm sobrevida de 5 anos (apenas 40%) em média.
