Uma das partes do corpo que as mulheres mais se preocupam durante a gestação são as mamas: elas serão responsáveis pela alimentação do bebê após o parto, e representam a relação mãe e filho. Como proceder quando a grávida apresenta câncer de mama? Apesar de não ser muito comum – apenas 1% dos casos de câncer de mama antes dos 50 anos surgem durante a gravidez – é um quadro que deve ser analisado.
O ginecologista e mastologista, Sérgio Bonatto Hatschbach, do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba (PR), explica que a incidência deste tipo de câncer é muito baixa. “A média é de um caso de câncer de mama a cada cinco mil gestações”. Mesmo assim, é um dos tipos de câncer que mais acomete mulheres grávidas. “Depois do câncer no colo do útero, o de mamas é o que mais vemos numa situação de gravidez”, afirma o médico. Uma situação que pode levar ao aumento desses casos é a gestação tardia. “A decisão da mulher de engravidar cada vez mais tarde contribui para esse quadro, pois quanto mais velha, mais a mulher se aproxima da faixa etária de risco de câncer de mama”, explica Hatschbach.
Diagnóstico e tratamento
Quando o tumor surge durante a gravidez, o diagnóstico se torna um pouco mais complicado. “Durante a gravidez o volume das mamas aumenta e o tecido mamário se torna mais consistente. Isso dificulta o diagnóstico clínico e a mamografia é contra indicada na gravidez por se tratar de um exame radiológico”, analisa o médico. Por isso, a atenção no autoexame deve ser redobrada durante a gravidez.
Identificado o câncer, é chegada a hora de tratar. “O tratamento deve ser encarado da mesma forma que ocorre com pacientes que não estão grávidas”, explica. O que dificulta é o estágio da gravidez. “No primeiro e no segundo trimestres devemos tomar cuidado com químio e radioterapia, pois o feto ainda está em formação”. Se a gravidez estiver no último trimestre, às vezes, é possível adiar o tratamento até que o feto esteja maduro e o parto possa ser induzido. “Após o nascimento do bebê tratamos o câncer normalmente, apenas a amamentação não é recomendada para evitar a passagem de medicamentos para o recém-nascido”.
Quando uma intervenção é necessária nos primeiros semestres, a indicação é a cirurgia. “Quando é escolhido não retirar a mama, a radioterapia é a opção. Porém, esse tipo de tratamento é contra indicado durante a gravidez, principalmente durante os três primeiros meses”. Sobre os riscos da cirurgia, ela não é feita com anestesia geral – apenas com sedação e, portanto, não oferece risco ao bebê.
Riscos
O doutor Hatschbach complementa que, com o diagnóstico precoce do câncer, os riscos para o feto são mínimos. “É muito raro que você indique o aborto para tratar o câncer de mama, mas, eventualmente, pode ocorrer a interrupção da gravidez – quando a gestação está muito precoce e o quadro do câncer já está avançado, com metástase”, revela. A interrupção só é indicada quando há riscos para a mãe aguardar o término da gravidez. “Mesmo assim essa decisão só é tomada quando há consenso entre médico e paciente”, avalia o médico.
