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15/06/2010

Câncer bucal é combatido em São Paulo

Diversas cidades do estado de São Paulo lançaram nos últimos meses campanhas para rastrear e prevenir o câncer de boca, o sétimo mais frequente do Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em estimativa, o instituto afirmou que cerca de 14 mil pessoas serão vítimas da doença em 2010. A previsão é muito mais preocupante para os homens: do número total fornecido pelo Inca, estima-se que pouco mais de dez mil serão do sexo masculino.

O câncer bucal engloba qualquer tumor originado na região da boca, entre língua, lábios, gengiva e céu da boca. Segundo o chefe substituto da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca, Roberto Netto Soares, a doença surge como uma pequena lesão ou inflamação localizada que não melhora com tratamentos locais. Mas, existem outras formas da doença: “Outro tipo mais específico são lesões esbranquiçadas, chamadas leucoplasias, que são consideradas lesões pré-malignas pelo potencial que elas têm de se tornarem malignas com o tempo”, avalia.

O médico ressalta que o diagnóstico precoce da doença é fundamental para um tratamento mais eficaz. Por isso, ele explica que são importantes as campanhas de prevenção e rastreamento. As razões são também econômicas: “as lesões que atualmente são tratadas nos hospitais especializados são lesões avançadas em que o custo do tratamento é alto e os pacientes são submetidos a procedimentos em que ficam incapacitados para sua recolocação no mercado de trabalho”, explica o médico sobre os procedimentos para controlar o tumor, como quimioterapias e intervenções cirúrgicas. Porém, ele afirma que até hoje nenhum país foi totalmente bem sucedido com campanhas de prevenção da doença e cita como exemplo Cuba e a campanha brasileira realizada em Vitória, no Espírito Santo, por meio do curso de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Ainda de acordo com Soares, os principais comportamentos de risco para o desenvolvimento do câncer bucal são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, além de má higienização bucal. “O perfil do paciente mais comumente acometido é de classes sociais menos desfavorecidas, nas quais se encontram com mais facilidade o somatório desses fatores”, informa. Por isso, ele argumenta que, aliada às medidas de prevenção, as campanhas de combate ao tabagismo e ao alcoolismo são de extrema importância na diminuição de casos da doença. “Campanhas para procurar o profissional de saúde o mais precocemente possível também teria resultado positivo na curabilidade das lesões”, completa.

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