Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, querem utilizar o olfato dos cães — pelo menos cinquenta vezes mais potente que o do ser humano — para detectar câncer de próstata em estágios iniciais. Os cientistas entraram com o pedido de financiamento e, caso seja aprovado, terão o auxílio do famoso treinador de cães, Charlie Clarricoates.
A ideia de utilizar o faro canino surgiu a partir de sinais dados pelos próprios animais. Registros de casos de cães de estimação que alertaram seus donos sobre pintas cancerosas ou tumores ainda ocultos sugerem que, se treinados corretamente, podem ajudar a detectar a presença do câncer de próstata por meio de amostras de urina dos pacientes. A ONG Foundation Dogs Against Cancer for Life realiza um trabalho semelhante com cães da raça Border Collie, desde 2007. Esta, porém, é a primeira vez que este tipo de detecção é reconhecido pela comunidade científica.
Atualmente, o teste de albumina, um dos exames para detectar a neoplasia, não é completamente confiável. Não é raro que os exames apresentem falsos negativos e falsos positivos e esse problema é agravado pelo fato de que a próxima etapa para confirmar o diagnóstico é uma biópsia múltipla.
Segundo o treinador Charlie Clarricoates, os cães têm a capacidade de detectar em epiléticos a iminência de um ataque, graças ao odor provocado pela mudança hormonal e de temperatura do paciente. Por isso, apostam os pesquisadores, se houver alguma alteração no odor da urina causada pelo tumor, os animais poderão identificá-la.
Clarricoates já iniciou seus trabalhos com um Labrador e um Pastor Alemão. Ele acredita que, com todos os recursos disponíveis e depois que testes forem feitos para demonstrar a eficácia do faro dos animais, os cães estarão aptos a identificar câncer após seis meses de treinamento.
