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Blog Dicas de Saúde

29/09/2009

Aumenta o número de casos de alergia

Segundo dados de 2007 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos Estados Unidos, o aumento do número de casos de alergia ou intolerância a um ou mais alimentos foi de 18% em uma década. A alta mais significativa foi na faixa de 0 a 5 anos, fase da vida em que o sistema imune está mais vulnerável.

Dr. Nélson Rosário Filho, diretor científico da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, explica que sensibilizações múltiplas são muito mais comuns que mono-sensibilizações (alergia a um único alérgeno). “Isto se deve em parte às grandes oportunidades de contato com as causas de alergia e em parte à pronta intervenção do sistema imunológico em preparar uma reação contra algum agente agressor, como no caso o alérgeno que desencadeia a alergia”.

Novos métodos de diagnóstico estão prestes a entrar no mercado, inclusive no Brasil, e a ciência a cada dia entende um pouco mais os mecanismos que levam nosso corpo a reagir contra alimentos que deveriam nos fazer bem, e, por algum motivo, põem em risco nossa saúde. Uma das chaves para encontrar uma cura para as alergias é a pesquisa genética.

Os pesquisadores acreditam que as alterações do ambiente onde vivemos têm um papel fundamental no desenvolvimento das alergias. A chamada “hipótese da higiene” diz que o ambiente urbano moderno, quase asséptico, diminui a exposição das pessoas a micro-organismos como germes, bactérias e vírus e, consequentemente, cai o número de infecções.

“Se levássemos em conta esta hipótese teríamos que retroceder às condições primitivas de ambientes domiciliares e abrir mão do conforto que hoje dispomos. A hipótese da higiene funciona para países desenvolvidos, mas não se aplica na América Latina (exceto nos grandes centros). Portanto, a tendência de aumento na incidência de doenças alérgicas não será revertida com facilidade” analisa Dr. Nélson Rosário

Da mesma forma, ele acrescenta que a introdução de vacinas preventivas de várias doenças infecciosas tornou algumas doenças pouco frequentes ou extintas em certas comunidades. “Com isto o sistema imunológico desviou sua vigilância e capacidade de reação, para outras formas de agressores, onde se incluem os alérgenos, que têm como  principal exemplo os ácaros domésticos”.

A relação entre a higiene e a alergia não foi, contudo, confirmada por estudos epidemiológicos no Brasil. Até agora, as pesquisas não mostraram uma diferença na taxa de casos de doenças alérgicas nas grandes cidades e em populações de vilarejos do interior.

Diferenças entre intolerância e alergia

Uma dificuldade de qualquer estudo é definir quem realmente é alérgico. “A diferença entre intolerância e alergia está no mecanismo da reação: esta última de natureza imunológica é investigada por meio de testes que identificam a presença de anticorpos no sangue ou com testes cutâneos. É colocada uma gota de extrato alergênico no antebraço e feita pequena escarificação ou puntura com objeto pontiagudo. Quando o indivíduo é alérgico naquele local estimulado com o material colocado na pele, desenvolve-se reação em poucos minutos com coceira e pequena elevação vermelha”, esclarece o diretor científico da ASBAI.

De acordo com diversas pesquisas, 20% a 25% das pessoas acreditam ter algum tipo de alergia. Quando um médico faz o diagnóstico, apenas 1% a 2% dos adultos e 6% a 8% das crianças de fato têm o problema. Antes de concluir que se tem uma alergia, portanto, é preciso excluir outras hipóteses.

Tratamento  para prevenir a alergia

Dr. Rosário conta que existem vários níveis para tratamento preventivo da alergia:

Prevenção primária – consiste em atuar sobre aqueles indivíduos de alto risco para evitar a sensibilização alérgica.

Prevenção secundária – o indivíduo já está sensibilizado, e deve-se agir para reduzir os alérgenos a níveis que não incorram em aparecimento de sintomas.

Prevenção terciária – estratégias para o manejo da rinite ou asma alérgica, por exemplo, visam reduzir ou eliminar as limitações da doença em longo prazo com recursos farmacológicos (medicamentos) e não-farmacológicos. Estes últimos incluem evitar exposição a irritantes e poluentes (fumaça de cigarro, odores, poeiras, etc.), remoção de animais do ambiente doméstico, remoção de carpetes e tapetes, forração de colchões com material impermeável, estão entre medidas que ajudam os pacientes alérgicos.

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