Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e publicado na revista médica The Lancet, mostra que tomar diariamente 75 mg de aspirina durante cinco anos reduz em um terço as mortes causadas por câncer e em 25% o risco de desenvolver essa doença.
De acordo com essa pesquisa, a maior ingestão de aspirinas poderia salvar milhões de vidas por ano. Peter Rothwell, neurologista que dirigiu essa pesquisa, já começou ele mesmo a tomar sua dose diária. “Suspeito que dentro de cinco ou dez anos, estaremos receitando aspirinas às pessoas de meia idade e não só pelos benefícios vasculares que se conhecem”.
Outras pesquisas realizadas anteriormente já demonstraram que uma pequena dose diária de aspirina poderia reduzir a possibilidade de doenças cardiovasculares. Entre os 40 e 55 anos aumenta significativamente o risco de adoecer de algum tipo de câncer, por isso Rothwell considera “sensato” que o consumo de aspirina começasse aos 45 anos.
O professor Peter Elwood, da Faculdade de Medicina da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, dirigiu o estudo sobre os efeitos da aspirina em relação às doenças cardiovasculares e afirma que “estamos diante de um marco de enorme importância para a comunidade em geral”.
Contrapontos
Apesar da exaltação dos pesquisadores, outros analistas advertem que a aspirina pode dobrar a incidência de hemorragias gastrointestinais, ocorrência que atualmente é de uma para mil pessoas ao ano.
O professor de genética John Burns, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, ressalta que o problema “é que se recomendarmos algo a toda a população, teremos de enfrentar os efeitos secundários”.
No Reino Unido, morrem por ano 150 mil pessoas em consequencia do câncer e 200 mil em decorrência de alguma doença cardiovascular.
