Você está em

Blog Dicas de Saúde

Conheça os riscos da osteoporose

A osteoporose é uma doença silenciosa e atinge principalmente mulheres idosas. Caracteriza-se por uma redução da massa óssea, decorrente da redução do próprio tecido ósseo. É o que explica Victoria Zeghbi Borba, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), no Paraná. Segundo ela, a diminuição dos hormônios tem papel fundamental no desgaste dos ossos. “Com a menopausa ocorre uma perda da proteção natural que o estrogênio exerce sobre os ossos, levando a um maior desgaste, principalmente, nos dez primeiros anos após a menopausa”, afirma Victoria.

Este, porém, não é o único caso onde a doença pode se manifestar: “também ocorre com mulheres que, para tratamento de  endometriose, por exemplo, fazem bloqueio hormonal e, também, com homens em supressão hormonal para tratamento de câncer de próstata ou que entram em andropausa”, completa.

Victoria explica que o tecido ósseo é constantemente renovado e existem vários fatores — entre eles as taxas hormonais — que controlam esta renovação. “Se houver um desequilíbrio em um destes fatores, pode ocorrer um aumento da reabsorção óssea, com menor formação”, esclarece. E aponta alguns desses fatores: deficiência de vitamina D, falta dos hormônios sexuais, diarréia crônica e uso de corticóides.

Grupos de risco e diagnóstico

Victoria Borba afirma que a osteoporose se manifesta sem muitos sintomas e, por isso, a descoberta da doença pode ser tardia — geralmente, após uma fratura. O diagnóstico é feito por meio de um exame de densitometria óssea, que quantifica a massa óssea. Existem, entretanto, grupos de risco que devem estar atentas à osteoporose. A médica explica que as mulheres, principalmente as idosas, e a população de raça caucasiana e asiática, têm mais chances de desenvolver a doença. Outros fatores apontados por ela são a insuficiência de cálcio, condição física precária, tabagismo, etilismo e sedentarismo. Por isso, ainda de acordo com Victoria, manter hábitos saudáveis e uma alimentação rica em cálcio é fundamental desde a juventude. Além disso, ela recomenda a reposição hormonal, quando indicada pelo médico e exposição ao sol por pelo menos quinze minutos por dia.

Tratamento

Atualmente, existem diversos tratamentos para reduzir o impacto da osteoporose na vida do paciente e garantir uma boa saúde óssea. “Os tratamentos mais usados são feitos com o uso de drogas que bloqueiam a reabsorção óssea, os bisfosfonatos que podem ser usados semanalmente, mensalmente, a cada três meses, ou até anualmente, dependendo da condição do paciente e da sua preferência”, exemplifica a médica.

Ela cita também os Selective Estrogen Receptor Modulators (SERMs), substâncias que simulam o estrogênio nos ossos e bloqueiam seus efeitos na massa óssea. “Outra forma de tratamento é o ranelato de estrôncio, que tem uma ação dupla, diminuindo a reabsorção e estimulando a formação, sendo usado diariamente”. Por fim, Victoria cita a teriparatida, medicação com maior capacidade de formação óssea, que é aplicada com injeções subcutâneas diárias.

Esclerose Múltipla

Ao contrário do que dita o senso comum, a esclerose múltipla não é uma doença de idosos – ela ataca principalmente jovens entre 20 e 45 anos. “A esclerose múltipla não deixa o paciente esclerosado. É por causa desTe termo que muitos acreditam que seja uma doença de idosos, mas não é”, explica a neurologista Maria Cristina Brandão de Giacomo, da coordenação científica da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

Ela conta que a doença, abreviada pela sigla EM, é uma doença inflamatória que ataca o sistema nervoso central, formado por cérebro, cerebelo e medula espinhal. Essas áreas são revestidas por uma camada chamada bainha de mielina, responsável pela condução de impulsos nervosos. Quando ela não existe, os impulsos são transmitidos lentamente. Na EM, o sistema imunológico reconhece a mielina como um corpo estranho e produz anticorpos para eliminarem essa substância do organismo.

“Esclerose múltipla significa múltiplas cicatrizes e é exatamente isso o que a doença representa: feridas e cicatrizes na mielina”, afirma a médica. Segundo ela, os sintomas da EM variam de acordo com a região do sistema nervoso que desenvolve a inflamação. Se ocorrer em uma área ligada à motricidade, por exemplo, a pessoa sentirá dificuldades motoras – o mesmo acontece com a visão e os esfíncteres. “Além disso, a esclerose múltipla pode atacar o cérebro de uma forma mais difusa, causando um déficit cognitivo”, diz.

Desenvolvimento

A EM é uma doença autoimune e genética: uma alteração no sistema imunológico. “Existe um mapeamento genético que já indicou dois cromossomos responsáveis pela esclerose múltipla. O que sabemos é que o meio ambiente é o fator desencadeante da EM, mas não sabemos exatamente por que e como a doença é desencadeada”, explica Maria Cristina.

Um fator que sempre deve ser acompanhado é a parte psicológica do paciente. “Quando uma pessoa não está bem emocionalmente, a doença se desenvolve mais rapidamente – isso acontece não apenas com a esclerose múltipla, mas com todas as doenças”. Por isso, a neurologista afirma que cuidar do emocional do paciente é fundamental durante o tratamento. “Aliado a esse acompanhamento psicológico existe a medicação, que procura diminuir a atividade inflamatória”, orienta a médica.

A esclerose múltipla não tem cura e existe uma dificuldade no tratamento pelas características da doença. “Não podemos neutralizar totalmente o sistema imunológico, senão o paciente não irá combater um simples resfriado. Por isso, o tratamento é delicado – precisamos equilibrar a imunidade para que ela exista, apenas não ataque a mielina”, esclarece.

Maria Cristina levanta questões que justificam a continuidade dos estudos e pesquisas sobre a doença. “Há casos nos quais um gêmeo tem esclerose múltipla e outro não. Por que apenas um desenvolve, se o ambiente é o mesmo e a genética é parecida?”, questiona. “Essas dúvidas estão sendo estudadas para que, no futuro, talvez possamos identificar quem pode desenvolver a doença e como evitá-la”.

Fique atento ao melanoma de coróide

O melanoma de coróide é um câncer que se desenvolve nos olhos, em um tecido ocular denominado coróide. O retinólogo Walter Carneiro Filho explica que esse tecido se situa entre a esclerótica, que é a parte branca do olho, e a retina, o tecido nervoso interno, onde a imagem é refletida. “É composta de vasos sanguíneos e células, dentre as quais algumas pigmentadas denominadas melanócitos. O melanoma de coróide caracteriza-se pela proliferação celular desenfreada desses melanócitos”, afirma.

Como o melanoma de pele, o tumor é bastante agressivo e tem alto índice de metástase. De acordo com o oftalmologista Pedro Piccoli, do Hospital Barigui de Oftalmologia, o melanoma de coróide pode trazer sérias complicações aos olhos — geralmente há perdas significativas da visão. “Em tumores maiores, muitas vezes, se indica a remoção do globo ocular. Mesmo quando os tumores são menores e podem ser erradicados através de cirurgia ou de braquiterapia, que é a radioterapia localizada, as sequelas para a visão são importantes”, adverte o médico e acrescenta que as mulheres caucasianas têm mais chance de desenvolver a doença.

Os sintomas mais comuns do melanoma de coróide, além da redução da visão, são os defeitos no campo visual — “a visão de ‘moscas’ ou flashes de luz”, afirma o oftalmologista. Outros sintomas dependem diretamente da extensão do câncer: “se o tumor se situa na parte anterior da coróide, poderá ser percebida como uma sombra no campo de visão em estágios mais avançados. Esta sombra avança conforme o estágio da doença, e pode chegar a ocluir totalmente a visão. Se a localização é posterior, poderá ser notada uma distorção das imagens, ou uma mancha no meio das mesmas”.

O diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho, no qual as lesões tumorais podem ser suspeitadas ou detectadas, dependendo do estágio. Segundo Piccoli, a ecografia também é usada para reforçar a suspeita e avaliar a extensão do tumor. “A ressonância magnética também pode ser de grande auxilio. Geralmente quando se faz o diagnóstico, ou quando se tem uma suspeita forte, submete-se o paciente a exames de imagem de outras partes do corpo, para saber se não há outras localizações do câncer”, diz.

Ainda de acordo com ele, o tratamento é mais eficaz quando a doença é descoberta precocemente e varia de acordo com o estágio e extensão do melanoma, que pode ser completamente curado. Piccoli, entretanto, alerta: “a erradicação total do tumor pode proporcionar a cura definitiva, mas não elimina o risco de aparecerem novos tumores”.

14% das crianças baianas não realizam o teste do pezinho, diz estudo

Em agosto de 2010, o teste de Guthrie, ou teste do pezinho, completa nove anos de portaria, o que quer dizer, na teoria, que o exame realizado em bebês de até uma semana de vida é obrigatório nos hospitais da rede pública desde 2001. O exame é relativamente simples, realizado a partir de uma amostra do sangue do recém-nascido extraído com um pequeno furo em seu pé, e pode detectar doenças congênitas. De acordo com a hematologista e diretora do Hemocentro do Rio de Janeiro (Hemorio), Clarisse Lobo, se identificadas precocemente, as doenças podem ser controladas ou tratadas, minimizando os danos no futuro. “O teste do pezinho é importante para detectar doenças como o hipotiroidismo congênito e a fenilcetonúria, que podem levar a um quadro de retardo mental no futuro”, afirma a médica. Ela ainda aponta que há uma outra fase do exame, cuja efetuação é facultativa e pouco usada nos municípios, para identificar fibrose cística, mas que é pouco difundida pela baixa incidência da doença.

No entanto, um estudo recente apontou que 14% das crianças baianas não realizam o teste do pezinho nas maternidades do estado. A situação é agravada pelo fato de que uma das doenças passíveis de serem descobertas com o exame, a anemia falciforme, tem alta prevalência na Bahia. Clarisse afirma que a cada 500 crianças que nascem no estado, uma possui a doença que, se não for controlada, pode causar dores, infecções e até levar à morte.

A hematologista explica, porém, que essa estatística pode estar subdimensionada. “As crianças que nascem em casa e fazem o teste do pezinho no posto de saúde durante a primeira vacinação (BCG) e aquelas que realizam o exame por meio de convênios particulares podem não ser contabilizadas”, acredita. Ainda assim, ela reconhece que existem mães que não fazem o teste do pezinho em seus filhos por não reconhecerem a importância do exame ou ignorarem sua existência. “Nesse caso, a solução é a educação e a sensibilização da população para o teste, que é praticamente indolor e extremamente benéfico para a saúde do bebê e um ganho para a saúde do Brasil”, alerta.

Veja algumas doenças que podem ser detectadas com o teste do pezinho:

  • Fenilcetonúria
  • Hipotireoidismo Congênito
  • Toxoplasmose Congênita
  • Deficiência de Biotinidase
  • Hiperplasia Congênita de Supra-Renal
  • Hemoglobinopatias
  • Galactosemia
  • Hipotiroidismo
  • Deficiência da G6PD
  • Cromatografia Aminoácidos – Aminoacidopatias
  • Infecção Congênita pelo HIV
  • Deficiência da MCAD
  • Sífilis
  • Doença de Chagas
  • Citomegalovirose
  • Rubéola

Saiba mais sobre a infecção urinária

A cistite é um processo inflamatório causado por uma infecção na bexiga. Por isso, também é chamada de infecção urinária. Estima-se que a doença seja umas das principais causas de consulta na prática médica, sendo numericamente inferior apenas às infecções respiratórias. Segundo a infectologista, Ciane Mackert, a cistite pode ser causada por diversos tipos de micro-organismos, entre fungos e bactérias. Entretanto, o principal agente da infecção seria a bactéria Escherichia Coli, ou E. Coli, que representa cerca de 85% dos casos. Ela explica que a infecção pode ser tanto ascendente ou descendente: “na infecção ascendente, a bactéria sai da região externa do canal urinário e sobe até a bexiga, alojando-se lá. No caso da infecção descendente, o micro-organismo pode descer para a bexiga a partir do rim”. Porém, ela completa, o mais comum é que a infecção seja ascendente.

A causa da cistite, assim como seu agente causador, é variada. De acordo com a infectologista, as causas podem ir desde uma mudança de Ph ou má higienização da área genital até uma alteração anatômica, como uma uretra curta, ou procedimentos invasivos, como o uso de cateteres. “O processo infeccioso caracteriza-se pela dor ao urinar, seja no início ou no final da diurese. Dependendo do quadro, pode haver uma evolução para uma poliúria, ou seja, a urina em excesso, além de urgência miccional”, acrescenta Ciane. Urina com mau cheiro, cor opaca e seguida de filamentos de muco também podem ser sinais de cistite.

“Por questões anatômicas — a uretra é menor — as mulheres são mais propensas a contrair a doença do que os homens. Como a questão imunológica também é importante, os idosos e os diabéticos são também grupos de risco e precisam de atenção especial a esse tipo de infecção”. Ainda segundo a médica, o diagnóstico pode ser feito de duas maneiras: clínico, por meio da análise de sintomas; ou laboratorial, pela análise em laboratório do exame de urina. Descoberto o agente, basta administrar o medicamento adequado. Entretanto, mesmo com o diagnóstico de infecção urinária, nem sempre é possível descobrir o agente causador específico da doença. Por essa razão, ela explica, o tratamento é feito com antibióticos, para os quais o paciente deve apresentar melhora de quatro a seis horas após a administração do fármaco.

Exercícios físicos podem prevenir câncer de mama

As aulas de educação física na escola podem ter uma grandiosa importância na vida adulta das mulheres. Diversas pesquisas presentes na literatura médica atual sugerem que o exercício físico durante a infância pode diminuir as chances de desenvolver câncer de mama em mulheres adultas.

José Clemente Linhares, médico oncologista do hospital Erasto Gaertner, em Curitiba (PR), explica que o fato se dá pelo retardo da menarca, a primeira menstruação da mulher, por meio de exercícios: “a atividade física diminui os níveis de estrogênio e parece ser este o mecanismo de ação. No caso das crianças, retarda o início da primeira menstruação e, portanto, diminui o período da vida durante o qual a mulher está exposta aos hormônios”. Essa diminuição do contato com os hormônios ao longo da vida da mulher seria fundamental para prevenir a neoplasia.

Porém, é preciso dizer que a convivência com os hormônios não é necessariamente maléfica. Desde que indicados corretamente, o uso artificial de hormônios, seja por meio de anticoncepcionais, seja pela reposição hormonal a qual as mulheres geralmente são submetidas após a menopausa, pode trazer benefícios. Estudos apontam que há uma diminuição no risco de câncer de ovário para o uso da pílula e no câncer de cólon para a reposição hormonal. O risco de desenvolver câncer de mama, entretanto, é presente. Além dos anticoncepcionais, existe, para a reposição hormonal, um aumento discreto, segundo o médico, nos riscos da doença para um tratamento maior do que cinco anos.

Linhares explica ainda que o retardo da menarca pode ser feito de forma medicamentosa para tratar algumas condições específicas, como a menarca precoce, condição que pode ser detectada na infância através de sinais clássicos da puberdade, como crescimento dos seios e surgimento de pelos pubianos. Mas este não é o caso. “Quando falamos do retardo da menarca com exercícios físicos, estamos falando de uma intervenção natural e fisiológica. Não há sentido nem benefício em fazê-lo de forma medicamentosa para prevenção do câncer”.

A importância dessas informações, segundo Linhares, é agregar quadros reconhecidamente potencializadores do câncer às chances de risco da doença. “Não existem causas conhecidas para o câncer da mama. O que existem são fatores que aumentam este risco, sendo o câncer na verdade uma doença multifatorial”, afirma, e aponta alguns desses fatores, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, dieta rica em gordura animal, além da menarca precoce e da menopausa tardia. O médico ainda ressalta que mulheres que não tiveram filhos, ou tiveram o primeiro filho depois dos trinta anos, além daquelas que apresentam histórico familiar de câncer nos ovários, mama ou cólon também têm maior chance de desenvolver tumores mamários.

Cães farejadores podem detectar câncer de próstata

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, querem utilizar o olfato dos cães — pelo menos cinquenta vezes mais potente que o do ser humano — para detectar câncer de próstata em estágios iniciais. Os cientistas entraram com o pedido de financiamento e, caso seja aprovado, terão o auxílio do famoso treinador de cães, Charlie Clarricoates.

A ideia de utilizar o faro canino surgiu a partir de sinais dados pelos próprios animais. Registros de casos de cães de estimação que alertaram seus donos sobre pintas cancerosas ou tumores ainda ocultos sugerem que, se treinados corretamente, podem ajudar a detectar a presença do câncer de próstata por meio de amostras de urina dos pacientes. A ONG Foundation Dogs Against Cancer for Life realiza um trabalho semelhante com cães da raça Border Collie, desde 2007. Esta, porém, é a primeira vez que este tipo de detecção é reconhecido pela comunidade científica.

Atualmente, o teste de albumina, um dos exames para detectar a neoplasia, não é completamente confiável. Não é raro que os exames apresentem falsos negativos e falsos positivos e esse problema é agravado pelo fato de que a próxima etapa para confirmar o diagnóstico é uma biópsia múltipla.

Segundo o treinador Charlie Clarricoates, os cães têm a capacidade de detectar em epiléticos a iminência de um ataque, graças ao odor provocado pela mudança hormonal e de temperatura do paciente. Por isso, apostam os pesquisadores, se houver alguma alteração no odor da urina causada pelo tumor, os animais poderão identificá-la.

Clarricoates já iniciou seus trabalhos com um Labrador e um Pastor Alemão. Ele acredita que, com todos os recursos disponíveis e depois que testes forem feitos para demonstrar a eficácia do faro dos animais, os cães estarão aptos a identificar câncer após seis meses de treinamento.

Câmaras de bronzeamento artificial duplicam chances de melanoma

Não é de hoje que as câmaras de bronzeamento artificial são consideradas vilãs da saúde pelo alto risco de câncer de pele que elas proporcionam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou recentemente este tipo de bronzeamento entre os agentes cancerígenos mais perigosos para a saúde pública, junto ao tabaco e ao gás mostarda, usado na Guerra do Vietnã. Porém, até então, o malefício desse tipo de aparelho nunca havia sido quantificado. Em junho de 2010, uma pesquisa da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, demonstrou que o uso das câmaras de bronzeamento duplica as chances de se desenvolver melanoma e outras doenças de pele, não importando o tipo de pele e a sensibilidade à luz.

O dermatologista, Guilherme de Almeida, diz que o bronzeamento artificial é cinco vezes mais prejudicial à saúde do que a radiação que se absorve com o sol do meio dia em um dia de verão. “Uma única aplicação aumenta o risco de melanoma em 15%. E seu uso antes dos 35 anos pode aumentar em até 75% a incidência desta doença”, afirma. Ele explica que a radiação solar que atinge a superfície terrestre é composta por raios ultravioleta, do tipo UVA, UVB e UVC. Dos três tipos, o que passa com mais facilidade é o UVA, e é justamente esse usado em câmaras de bronzeamento. A OMS determinou a periculosidade do aparelho com base em um artigo do famoso periódico médico The Lancet Oncology, que apontou esse tipo de raio ultravioleta como o com maior potencial para causar melanoma.

No Brasil, o uso das câmaras de bronzeamento artificial é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a proibição do aparelho no país, em uma medida polêmica que gerou bastante aceitação por parte da comunidade acadêmica e protestos por usuários do tratamento estético. Os aparelhos também podem ser usados para tratamentos de doenças como vitiligo e psoríase, explica Almeida, mas, ainda assim, não são seguros ou saudáveis. O paliativo para esse tipo de tratamento, no caso, é o controle. “Existem aparelhos de uso médico para estas e outras doenças que são monitorizadas por uma equipe médica que calcula a dose de cada paciente, o número de sessões e define o tipo de luz a ser usada”, afirma o médico. E completa dizendo que atualmente existem aparelhos com um espectro mais curto e definido de luz a fim de minimizar os efeitos colaterais para o paciente.

O risco do bronzeamento em câmaras não se restringe só ao câncer de pele. O dermatologista explica que, além do melanoma e dos carcinomas basocelular e espinocelular, pode contribuir para o surgimento de doenças oculares, como a catarata, e para deprimir o sistema imunológico, o que pode levar a outras doenças. E não é tudo. “O bronzeamento também pode ser um fator desencadeante ou agravante de doenças como lúpus eritematoso, porfiria, pelagra, xeroderma pigmentoso, urticária solar entre outras”, relata Almeida, que acrescenta que a radiação também pode reagir a medicamentos orais ou tópicos e causar danos à pele. O médico finaliza: “por tudo isso, não faça bronzeamento artificial”.

Sangue do cordão umbilical pode salvar vidas

Nos últimos anos, a tecnologia para registrar, armazenar e transplantar medula óssea evoluiu consideravelmente. Sendo um dos tratamentos mais eficazes para tratar doenças do sangue como leucemias, linfomas e anemias, o transplante de medula é hoje uma realidade no Brasil. O fato se deve a campanhas de mobilização e a criação de bancos de dados, como o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), ambos sob responsabilidade direta do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Cemo/Inca). Segundo o diretor do Cemo, Luiz Fernando Bouzas, o Redome conta hoje com cerca de 1,6 milhão de doadores e hoje é o terceiro maior registro do mundo.

Um dos grandes avanços da área foi a descoberta da relevância do sangue presente no cordão umbilical e placenta, ricos em células-tronco hematopoiéticas, que são responsáveis por formar no feto o sistema sanguíneo e imunológico. O material, que era descartado, passou a ser armazenado na Rede Nacional de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (BrasilCord). O órgão administra os dados do Registro Nacional de Sangue de Cordão Umbilical (Renacord), criado em 2008 e também sob o comando do Cemo/Inca. Esse registro funciona integradamente com o Redome para facilitar a busca por doadores.

Bouzas explica a vantagem desse tipo de sangue: “o sangue de cordão umbilical e placentário (Scup) tem menores exigências de compatibilidade por serem células adultas, porém mais jovens que as obtidas da medula óssea, desta forma provocam menos reações de rejeição e a chamada doença do enxerto contra o hospedeiro, complicação que é frequente após o transplante”.

Entretanto, existem algumas variáveis que podem comprometer o sucesso do transplante que utiliza o Scup. O médico esclarece que a eficácia do tratamento depende principalmente da idade do paciente, do estágio da doença, do tempo de espera para se fazer o transplante e da qualidade do material — além da compatibilidade, é feita uma relação entre o peso do paciente e a quantidade de células-tronco presentes na amostra. “Em geral, a sobrevida média é de 50% a longo prazo, ou seja, sobrevivem mais do que cinco anos”, acrescenta.

O diretor do Cemo explica ainda que as chances de compatibilidade entre doador e receptor é maior quando os dois pertencem à mesma etnia e, por isso, é importante que o Brasil tenha um banco de dados próprio: “a existência de um registro forte e da rede BrasilCord diminui nossa dependência de buscar material em bancos estrangeiros. Além disto, devido à miscigenação intensa de nossa população, fica mais fácil encontrar doadores para brasileiros nos sistemas nacionais que no estrangeiro”.

Armazenamento

O sistema de armazenamento do Scup é gratuito e aberto ao público nas maternidades conveniadas. As mães preenchem um termo de consentimento e passam por um rigoroso critério de seleção, e o material coletado é armazenado em equipamentos de última geração. Infelizmente, de acordo com Bouzas, o sistema BrasilCord ainda não está completo, e por enquanto só existem oito bancos de armazenamento, para os quais estão cadastradas duas ou três maternidades cada. “A Rede BrasilCord estará completa até 2011 com 13 bancos e em cinco anos armazenará 65 mil unidades de Scup”, garante.

Bancos de Scup em funcionamento:

  • INCA
  • Hospital Albert Einstein
  • Hospital Sírio-Libanês
  • Hemocentro, em Campinas
  • HC de Ribeirão Preto
  • HEMOSC, em Florianópolis
  • HC do Distrito Federal
  • HEMOCE, em Fortaleza

Saiba o que é norovírus

No começo de 2010, dois surtos de infecção gastrointestinal surpreenderam o país: em janeiro, no Guarujá, litoral paulista, mais de duas mil pessoas tiveram diarreia, entre elas, o filho do jogador Ronaldo “Fenômeno”, Ronald. Em março, o navio de cruzeiro Vision of the Seas, que saiu do litoral Santista, atracou em Búzios depois que 310 passageiros foram acometidos do mesmo mal. Como verificou não se tratar de infecção bacteriana, a aposta dos pesquisadores que estudaram o caso é algum tipo de vírus. E um dos principais suspeitos foi o norovírus.

Constantemente confundido com o rotavírus, que ataca principalmente crianças de até três anos de idade, o norovírus apresenta um quadro clínico muito parecido: gastrointerite aguda, com febre, diarreia e vômitos. Também pode haver letargia, dores de cabeça, dores musculares e febre de baixa intensidade. É o que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Paulo Roehe. “Virologicamente os rotavírus são muito distintos dos norovírus; a semelhança está no quadro clínico que causam, que podem ser confundidos”, afirma. Ele explica que um estudo apontou que o norovírus é responsável por 90% das gastrointerites não bacterianas em todo o mundo. “O nome norovírus vem do termo Agente de Norwalk, que se refere ao vírus identificado como causador de um surto gastroentérico ocorrido entre estudantes na cidade de Norwalk, Ohio, EUA, em 1968”, esclarece o virologista.

Os surtos causados pelo norovírus são explicados por suas formas de contágio. Roehe explica que ele é transmitido por via oral-fecal, principalmente por meio de água contaminada, além de objetos como copos e talheres e contato pessoa a pessoa.  Por isso, sua frequência em navios de cruzeiro pode acometer todos os passageiros: “por afetar um grupo de indivíduos com contato relativamente próximo e, principalmente, por existir uma origem de  água e alimentos — muitos deles manipulados — comuns a todos os embarcados”, diz.

Prevenção e tratamento

As principais formas de prevenção do norovírus, de acordo com o médico, são a higiene e a ingestão de alimentos cozidos e água clorada. E isso deve ser seguido por todos, pois uma pessoa pode contaminar o resto: “alguns surtos de infecção por norovírus tiveram sua origem rastreada até uma única pessoa contaminada que trabalhava em uma cozinha”, conta o virologista. Ele acrescenta ainda que pessoas com sangue do tipo O são mais propensas a serem infectadas do que pacientes com sangue tipo B ou AB.

Como a maioria dos casos da doença nunca é investigada a fundo, sendo diagnosticadas apenas como uma virose, não há índices de incidência no Brasil. Também não há tratamento específico, e, de acordo com o Roehe, embora a doença não seja muito grave, alguns pacientes mais debilitados, como idosos ou crianças pequenas, podem morrer se não tiverem cuidados especiais. O principal cuidado, ele explica, é com a desidratação do paciente, que perde muito líquido durante o processo infeccioso.

Medicamentos
Por nome
Por especialidades
Por doenças
Por princípio-ativo
Pacientes
Blog Dicas de Saúde
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Prof. de Saúde
Central do Conhecimento
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Laboratórios
Vantagens
Meu Cadastro
Central de Ajuda
MEDICSUPPLY
Notícias
Contato
Pacientes
Profissionais de saúde
Laboratórios
Trabalhe conosco
BlogBlogs.Com.Br